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quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Macklemore é retirado de turnê de Ed Sheeran após manifestações pró-Palestina e revela conversa com cantor

Macklemore não fará mais parte das próximas datas norte-americanas da “Loop Tour”, de Ed Sheeran, após suas manifestações em apoio à Palestina durante os primeiros shows da turnê. O rapper, que vinha atuando como uma das atrações de abertura, se pronunciou nesta segunda-feira (14) e revelou detalhes das conversas que antecederam sua saída.

A polêmica começou após as apresentações de Macklemore no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no início de setembro. Durante seu set, o artista declarou “Free Palestine” e apresentou “Hind’s Hall”, sua música de protesto em apoio aos palestinos, enquanto imagens de Gaza e de manifestações pró-Palestina eram exibidas nos telões. A performance provocou críticas de organizações como o Israeli-American Council e a Anti-Defamation League, enquanto outras pessoas defenderam o direito do rapper de se posicionar.

Inicialmente, a informação divulgada era de que diferentes estádios haviam avisado à produtora Messina Touring Group que não receberiam a turnê caso Macklemore continuasse no elenco. A produtora teria entendido que manter o rapper poderia colocar em risco as próximas apresentações.

Horas depois, porém, Macklemore apresentou sua própria versão da história e afirmou diretamente que “Ed Sheeran e sua equipe tomaram a decisão” de retirá-lo da turnê.

Segundo o rapper, Ed teria contado que Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e do New England Patriots, entrou em contato e afirmou que Macklemore não poderia se apresentar no estádio. Ainda de acordo com seu relato, Kraft teria conversado com responsáveis por outras arenas e formado um ultimato: caso Macklemore permanecesse, a turnê não poderia passar por esses locais.

Macklemore também expôs parte de uma conversa particular que afirma ter tido com Ed. Segundo ele, o cantor britânico disse que as palavras “Free Palestine” e a imagem da bandeira palestina estavam sendo consideradas ofensivas por muitas das pessoas com quem havia conversado.

“Eu disse que, se essas palavras eram mais ofensivas do que as dezenas de milhares de crianças palestinas mortas por Israel, então havia uma desconexão fundamental entre a posição dessas pessoas e a minha. Mas ele não conseguiu superar sua postura pública de ‘não tomo partido’”, escreveu Macklemore.

Apesar de criticar a posição do amigo, o rapper reconheceu que Ed estava sob forte pressão e fez questão de dizer que não se considera uma vítima da situação.

Para Macklemore, o foco da discussão deveria permanecer sobre os palestinos afetados pela guerra. Ele ainda afirmou que entende os custos profissionais de artistas assumirem determinadas posições, citando contratos, patrocínios, festivais e relações dentro da indústria.

A controvérsia ganhou ainda outro capítulo por causa dos locais que teriam rejeitado a presença do rapper. Segundo a Rolling Stone, o Raymond James Stadium, em Tampa, onde está marcado o último show da etapa norte-americana da turnê de Ed Sheeran, está entre os estádios que teriam se oposto à presença de Macklemore.

O caso chamou atenção porque o mesmo Raymond James Stadium recebeu dois shows de Kanye West neste ano, mesmo após anos de declarações antissemitas do rapper e de pedidos para que as apresentações fossem canceladas. Os concertos aconteceram normalmente. No caso de Kanye, seu contrato ainda continha uma cláusula que impedia o estádio de cancelar as apresentações com base em declarações ou posicionamentos anteriores do artista.

Macklemore, que vem se posicionando publicamente em defesa da Palestina desde 2023, encerrou sua manifestação deixando claro que não pretende mudar seu discurso mesmo após perder o espaço na turnê.

Até o momento, Ed Sheeran não respondeu publicamente às acusações feitas por Macklemore sobre as conversas entre os dois. A “Loop Tour” seguirá pelos Estados Unidos sem o rapper, com Lukas Graham e Aaron Rowe entre as atrações de abertura.