
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária considerada histórica para analisar o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O julgamento pode definir se existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação contra Moraes.
Antes de entrar no conteúdo das mensagens, porém, o plenário deverá enfrentar uma questão que pode mudar completamente o rumo do caso: o relatório da PF é válido?
O documento surgiu depois que o ministro André Mendonça, então responsável por procedimentos relacionados às investigações do Banco Master, requisitou à Polícia Federal informações sobre a rede de influência atribuída a Vorcaro. A corporação analisou dados extraídos do celular do ex-banqueiro e identificou mensagens encaminhadas a Moraes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) contesta a forma como esse material foi produzido e pede sua anulação. Para a Procuradoria, Mendonça não poderia ter determinado uma apuração que alcançasse outro integrante do Supremo sem comunicação prévia à Presidência da Corte ou autorização do plenário. Mendonça, por sua vez, sustenta que a diligência tinha como objetivo identificar integrantes ainda desconhecidos da rede de contatos de Vorcaro.
Caso os ministros considerem o relatório inválido, o STF poderá anular a requisição e os elementos derivados dela. Se o documento for mantido, a Corte poderá avançar para a discussão sobre se as mensagens e demais informações justificam uma investigação formal contra Alexandre de Moraes.
Entre os elementos presentes no material estão mensagens localizadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, além de informações sobre a relação de Vorcaro com pessoas próximas ao ministro. O relatório também menciona o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Moraes nega qualquer irregularidade e vem questionando tanto a produção quanto a divulgação do relatório. O ministro também contesta a existência de indícios de infração penal em sua relação com Vorcaro.
A sessão ganha caráter inédito justamente porque coloca o STF diante da possibilidade de autorizar uma investigação envolvendo um ministro em exercício da própria Corte. Além do caso de Moraes, o episódio provocou uma crise interna no Supremo, com questionamentos sobre a atuação de Mendonça, disputas pelo acesso às provas e decisões conflitantes relacionadas à cúpula da Polícia Federal.
O julgamento desta terça-feira não representa uma condenação de Alexandre de Moraes. O que está em discussão neste momento é a validade do material reunido e, posteriormente, se há base jurídica para aprofundar as apurações.