
Fiona Apple está completando 49 anos neste domingo (13) e é sempre um bom momento para lembrar que só a cantora pode entregar um álbum como “Fetch The Bolt Cutters”.
Lançado em abril de 2020, o quinto álbum de estúdio da cantora chegou após quase oito anos sem um novo disco e rapidamente se transformou em um dos trabalhos mais celebrados de sua carreira. Gravado em grande parte dentro da própria casa de Fiona, o projeto nasceu de uma mistura pouco convencional de piano, percussões improvisadas, batidas em paredes e móveis, palmas, passos e até latidos dos cachorros da artista.
O resultado foi um disco que praticamente ignora qualquer obrigação de soar “perfeito”. Em vez disso, “Fetch The Bolt Cutters” aposta em estruturas imprevisíveis, vocais crus e letras que falam sobre liberdade, relações abusivas, rivalidade entre mulheres, traumas e a necessidade de romper com expectativas impostas pelos outros.
A recepção foi imediata. A Pitchfork deu nota 10 ao álbum, algo que não acontecia com um novo lançamento havia uma década, e posteriormente escolheu “Fetch The Bolt Cutters” como o melhor álbum de 2020. Anos depois, a publicação também colocou o projeto em primeiro lugar na lista dos melhores discos da década de 2020 até então.
O reconhecimento também chegou ao Grammy. Em 2021, Fiona venceu Melhor Álbum de Música Alternativa com “Fetch The Bolt Cutters” e ainda levou o prêmio de Melhor Performance de Rock por “Shameika”.
Mais de seis anos depois, o álbum continua parecendo tão estranho, livre e impossível de reproduzir quanto no dia em que foi lançado. E talvez seja justamente esse o ponto: só Fiona Apple poderia fazer um “Fetch The Bolt Cutters”.